Advaita Yoga

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Advaita Yoga é o nome de meu novo blog. É sobre yoga, claro. Eu já falei de yoga algumas vezes aqui em meu blog pessoal, mas tenho feito estudos e acumulado algumas anotações que ficariam melhores num ambiente especificamente dedicados ao yoga. Daí veio a idéia do novo blog.

O Advaita Yoga não é apenas um blog com posts sobre o yoga. Assim como em meu blog pessoal, há também e-books para download e papéis de parede.

Obviamente, a programação por aqui prossegue como de costume. Em breve retorno com atualizações.

Aos yogues e não-yogues, boas-vindas e muito obrigado.

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O yoga de Dharma Mittra

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Utilidade pública, pelo menos para quem pratica yoga.

Havia um site que mostrava 611 imagens de asanas (posturas do yoga) demonstradas por Dharma Mittra, um brasileiro que vive em Nova York que é considerado por muitos (por mim e por um de meus professores, inclusive) como um dos grandes mestres da atualidade. As imagens vieram do livro “608 Yoga Poses”, um livro à altura do famoso “Light on Yoga”, de B. K. S. Iyengar.

Pois bem. O site saiu do ar, mas tive tempo de salvar todas as imagens. Na verdade, ainda é possível ver as imagens uma a uma aqui. Para facilitar a pesquisa, reuni todas as imagens num único arquivo compactado, que pode ser baixado aqui.

Não precisa agradecer. Pratique.

Gita

Existe a idéia solidificada de que todas as ações afirmam algo — e que elas devem afirmar algo. É possível não afirmar nada? Talvez não seja. A respiração é a reafirmação constante da própria vida e do desejo de viver. Atenhamo-nos então às afirmações mais essenciais, mais elementares, mais necessárias.

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A lição definitiva do exercício de conscientização é dissolver a consciência, porque conscientizar-se profundamente significa perceber que não há o que perceber, que não há o agente e o objeto da percepção. Perguntar sobre métodos para tornar-se mais consciente é a reação mental típica, a armadilha de Jñana, que em muitos casos conduz ao fracasso. Sua utilidade está em cansar a mente a um ponto tal que ela pare de fazer perguntas, pare de querer saber, pare de tentar controlar e perceba verdadeiramente.

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A razão nos coloca nesta ou naquela direção e há diferenças entre lançar-se de um penhasco e caminhar com segurança numa praça. Naquilo que é elementar é bom dar ouvidos ao que a razão diz — débil e claudicante, mas nos economiza o tempo de reinventar rodas. Mas e depois? Como se escolhe uma direção quando se está parado em silêncio e repouso? Como e por que escolher uma direção quando não há bifurcações ou quando elas só existem na mente?

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Tá tudo dominado

obama yoga
Obamasana — ou a postura do herói.

Makoto é um dos princípios basilares do aikido. Makoto significa sinceridade ou honestidade, mas também pode ser entendido como verdade ou coerência entre palavra e ação. No yoga, o princípio que mais se aproxima de makoto é satya — verdade.

Nos dois casos, seja o praticante um aikidoka ou um yogue, o compromisso com a verdade é um pressuposto ao trilhar um caminho espiritual como uma arte hindu ou uma arte marcial japonesa.

Praticantes do aikido e do yoga têm — talvez mais do que outras pessoas — um compromisso com a verdade que deve ultrapassar suas vidas, suas disposições e pretensões. Há nessas artes a obrigação de desenvolver a capacidade de ver através da névoa espessa da mentira e da falsidade, ainda que essa visão implique a destruição de ilusões que sustentavam a vida do praticante; daí que makoto e satya podem causar frustração e desencanto. Em alguns casos, makoto ou satya podem fazer o praticante abandonar sua arte, caso ele seja incapaz de encarar a verdade que lhe é revelada.

Qual não foi minha surpresa quando vi que nessas duas artes há pessoas capazes e gabaritadas e ao mesmo tempo crédulas, desligadas da mais mínima consciência sobre makoto ou satya?

O boletim de yoga que recebo quase todos os dias começou hoje falando da posse do novo presidente:

Obama and Yoga — Regardless of what politics you may practice, today is a day of change and renewal. (…) Before he began his presidential campaign, he was asked why he wanted to become president. Obama answered that he wanted to be of service.

Como não encontro um link para o texto deste boletim, talvez o leitor queira ver outras referências a Obama no site da revista Yoga Journal. Não são poucas.

Dias atrás descobri um vídeo no YouTube intitulado Aikidoists for Obama, que mostrava um treino especial para levantar fundos para a campanha do democrata.

Eu entendo o que uma eleição presidencial pode significar para um país e mesmo quem deveria não se envolver com política de forma alguma acaba se envolvendo com ela até o pescoço. Mas é especialmente surpreendente e assustador quando esse envolvimento contraria princípios que sustentam as artes que essas pessoas praticam, o que significa que, ao menos em potência, essas pessoas estão dispostas a sacrificar essas artes em nome de… nada, em nome de uma imagem, em nome de algo meticulosamente construído para assumir o poder de um país e tornar-se símbolo de esperança e mudança, a despeito da abundância de evidências em contrário.

Eu não espero que essas pessoas leiam isto ou que conheçam as fontes citadas neste texto, mas o mínimo que espero delas — por uma questão simples de fidelidade àquilo que praticam e por autoproteção — é makoto e satya, um compromisso irrestrito com a verdade, mesmo que ela mostre, no fim, que mudança e esperança não constróem nações.

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Unificação

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Uma das coisas mais encantadoras no yoga é a possibilidade de experimentar formas muito elementares e ao mesmo intensas da unidade entre corpo e mente. Cada postura e cada exercício exigem que o indivíduo esteja ali, inteiro, e que ele continue assim, mesmo depois do final da prática. Mesmo que ele se desligue de seu corpo ao longo do dia — em razão das obrigações intelectuais que precisará cumprir, como o trabalho e o estudo –, seu corpo dirá que aquele indivíduo não é mente ou corpo ou espírito isolados.

A vida é feita de posturas, mesmo que o indivíduo passe horas lendo ou escrevendo. A respiração sustenta-o o dia todo, a todo instante. O yoga apenas lembra-o dessas verdades primordiais, de modo que respiração, postura e todas as coisas que interferem em sua saúde funcionem da melhor forma possível. Não se trata apenas de ter boa saúde, mas de desenvolver o próprio vigor físico e mental e de aproveitá-lo ao máximo. Isto é possível através do estabelecimento da unidade entre corpo e mente. Quem desenvolve esta unidade não desperdiça energia e tem total controle sobre todas as suas funções: a mente não mais oscilará conforme a disposição física, a alimentação e o repouso; o corpo responderá a qualquer comando dado desde dentro e não adoecerá; o espírito ascenderá naturalmente, conduzido por veículos absolutamente saudáveis e puros.

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Minha experiência com o lota

Advertência: 

Desde que este artigo foi publicado, quase 10 anos atrás, muitas pessoas têm chegado até ele com as mais diversas expectativas, inclusive a de encontrar aqui explicações técnicas que lhes permitirão realizar limpezas nasais sem qualquer tipo de ajuda direta. Devo reforçar a todos os leitores que o principal objetivo deste artigo é compartilhar minha experiência particular com o uso do lota na realização da técnica conhecida no Hathayoga como jala neti, não instruir o leitor, muito menos sugerir que ele deve realizar esse procedimento. 

Ainda que haja nesta publicação informações técnicas razoavelmente objetivas — semelhantes às que podem ser encontradas em vários livros de yoga –, o acompanhamento por um professor de Hathayoga é necessária. Nos casos particulares em que o indivíduo possui algum tipo de doença crônica (como rinites, sinusites, enxaquecas etc.) a orientação de um médico é obrigatória.

Vale lembrar, ainda,  que as técnicas do Hathayoga (inclusive e principalmente as técnicas de limpeza interna) só são indicadas para pessoas saudáveis e nenhum professor sério recomendará o uso dessas técnicas com a finalidade de curar doenças. 

Agradeço a todos a compreensão.

Christian
28/2/2017

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Lota é este jarrinho:

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Como ele se realiza um dos kriyas do yoga, chamado jala neti. O jala neti consiste em deixar correr água pelas fossas nasais de modo a higienizá-las e descongestioná-las.

Completei recentemente minha primeira semana de jala neti diário. O objetivo deste post é compartilhar minha experiência com esse kriya.

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O início é estranho. Desde que aprendi a nadar não tinha a sensação da água percorrendo minhas fossas nasais e a lembrança daquela época não é das mais agradáveis. No entanto, pesquisando e conversando com pessoas experientes pude descobrir que o jala neti é muito menos desagradável, totalmente seguro e muito eficaz. Mais tarde a experiência confirmou o que a teoria sugeria.

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