Eu não estou nem aqui

Este site não morreu. Eu apenas tenho me concentrado em outras coisas (por exemplo) e com isso faltam tempo e energia para escritos consistentes. De vez em quando publico algo que preste em meu perfil no Facebook — assinantes são bem-vindos, é claro.

Retornarei assim que eu puder. Prometo.

Obrigado a todos que de algum modo ajudam este site a ficar livre da poeira.

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Vila, Ilhabela

Novo papel de parede disponível para download.

Crepúsculo na Vila, centro histórico e turístico da cidade de Ilhabela, Litoral Norte de SP.

Vila, Ilhabelaclica na foto para ampliar

Mais papéis de parede na seção Desktop.

Para quem sofre

Sede? Beba água.


Todos os meus sofrimentos sérios terminaram no dia em que passei um longo tempo deitado olhando o teto, digerindo aquilo que eu considerava ser a maior angústia pela qual passei.

Naquela época eu tentava encontrar um lugar neste mundo, tornar-me independente e ser bem-sucedido. A história de fracassos e o futuro sem perspectivas pareciam me deixar como única opção um presente absolutamente miserável.

Então algo surgiu. Vamos chamar isto de percepções. Como estas percepções surgiram é mais importante do que as percepções propriamente ditas.

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Realidade for dummies II

Encontro problemas toda vez que tento discutir um tema com alguém, sobretudo quando a discussão não é iniciada pessoalmente, mas filtrada pelas distâncias da Internet.

O principal problema que encontro é a total ausência de noção de como uma discussão deve funcionar. Refiro-me àquela dose mínima de racionalidade para que a discussão não apenas funcione e renda frutos para as pessoas envolvidas na discussão, mas também para que a discussão mereça este nome. Quando, por exemplo, você expõe um fato ou um argumento e a outra pessoa responde acusando você de grosseria ou arrogância, realmente não se trata de uma discussão, trata-se de um encontro casual entre duas entidades que não pertencem à mesma espécie.

Você mesmo, caro leitor, movido pela leitura de minha última frase acima, poderá pensar que um comentário desse tipo constitui grosseria pura e simples. Para que não pense assim, lembre-se dos atributos que costumam ser usados para definir o que é um ser humano: Continuar lendo

Desabafos

«Desabafe». Cresci ouvindo essa recomendação tola. Perdi um tempo precioso acreditando que o que eu sentia devia ser colocado numa mesa, à vista de todos, aberto para discussão. Caí na armadilha do sentimentalismo. Cheguei a achar que depressão era algo bom (embora irônica e felizmente nunca tenha sido atacado por ela) e que atrair a compaixão alheia com essa exposição seria vantajoso. E no entanto não produzi uma única poesia nesse período. Na verdade não produzi nada que pudesse atestar que a recomendação fosse realmente boa. Porque não era.

Continuei sendo solipsista e misantropo. Embora irreais em grande medida, tais atitudes me ajudaram a perceber que quem realmente se sente bem com o desabafo é a pessoa que está perto, não quem desabafou. A sensação de alívio de quem desabafa não se compara com a sensação vitoriosa de quem acabou de ouvir um desabafo.

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Sempiternidade

A idade vem, a tolerância se esvai. Começo a entender meus avós. Realmente não há o que tolerar.

Se uma pessoa repete erros durante 10 anos e neste período os avisos foram abundantes, o que resta é rezar pela alma dessa pessoa e pedir que a Lux Æterna a faça ver o que os avisos humanos não lhe tornaram visível.

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Vejo filas de carros novos e só consigo pensar numa coisa: impermanência. A linguagem da TV, as letras miúdas dos comerciais e o design irresistível pretendem contrariar um fato recorrente há muitas décadas: o «lançamento do ano» tornar-se-á o «elefante branco do ano» tão logo surja o próximo «lançamento do ano».

Vendem-se e compram-se carros como se eles fossem diamantes, o que não altera em nada dois fatos bastante simples: 1) o destino de todos eles é virar sucata e 2) qualquer montadora sabe disto.

E o mais irônico é ver o discurso das montadoras invadir áreas da vida humana cujos objetos raramente se desmancham. E eis que vemos imóveis, canetas tinteiro e relacionamentos vendidos com o mesmo discurso vanguardista. Não há território livre da babaquice.

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Axioma 1: ninguém quer morrer. Axioma 2: todos vamos morrer. No vão que existe entre estes dois axiomas peleja a maioria das pessoas.

Tal situação, no entanto, não basta para que se dê à questão da permanência a mais mínima atenção. Muitas deixarão cinzas e dívidas, no máximo. Algumas deixarão um apartamento ou uma casa de campo. Poucas deixarão uma biblioteca pessoal, uma obra magistral, um legado irresistível — um talismã, que seja.

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