Pequeno Tratado das Grandes Virtudes

A propósito de meu post anterior, vale a pena disponibilizar para download o e-book «Pequeno Tratado das Grandes Virtudes», de André Comte-Sponville. É especialmente adequado o trecho que fala da polidez:

A moral começa, pois, no ponto mais baixo — pela polidez –, e de algum modo tem de começar. Nenhuma virtude é natural; logo é preciso tornar-se virtuoso. Mas como, se já não somos? «As coisas que é preciso ter aprendido para fazê-las», explicava Aristóteles, «é fazendo que aprendemos.» Como fazê-las, porém, sem as ter aprendido? Há um círculo vicioso aqui, do qual só podemos sair pelo a priori ou pela polidez. Mas o a priori não está a nosso alcance, a polidez sim. «É praticando as ações justas que nos tornamos justos», continuava Aristóteles, «praticando as ações moderadas que nos tornamos moderados e praticando as ações corajosas que nos tornamos corajosos.»

Sutil metamorfose

Por falar em criatividade, por que a maioria das pessoas prefere entreter-se a estudar?

Esqueça o estudo tal como ele foi construído ao longo de sua infância e adolescência — escolas ensinam a odiar o estudo — e pense em como pode ser prazeroso aprender, i.e., modificar-se, crescer interiormente, colocar-se diante de um Aristóteles, um Thoreau, e perceber que é possível entendê-los e aproximar-se deles. Não que o aprendizado deva ser sempre prazeroso e tão divertido quanto um episódio de “Os Simpsons”, mas é justamente através do estudo que será possível depois aprender com coisas medíocres, divertir-se com o conhecimento puro, manter-se lúcido quando anúncios de TV tentam impregnar seus olhos e, afinal, viver melhor.

Gosto, aliás, se discute.