Realidade for dummies II

Encontro problemas toda vez que tento discutir um tema com alguém, sobretudo quando a discussão não é iniciada pessoalmente, mas filtrada pelas distâncias da Internet.

O principal problema que encontro é a total ausência de noção de como uma discussão deve funcionar. Refiro-me àquela dose mínima de racionalidade para que a discussão não apenas funcione e renda frutos para as pessoas envolvidas na discussão, mas também para que a discussão mereça este nome. Quando, por exemplo, você expõe um fato ou um argumento e a outra pessoa responde acusando você de grosseria ou arrogância, realmente não se trata de uma discussão, trata-se de um encontro casual entre duas entidades que não pertencem à mesma espécie.

Você mesmo, caro leitor, movido pela leitura de minha última frase acima, poderá pensar que um comentário desse tipo constitui grosseria pura e simples. Para que não pense assim, lembre-se dos atributos que costumam ser usados para definir o que é um ser humano: Continuar lendo

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Um aviso e duas perguntas

forest bench

Retornarei depois do feriado, período em que dedicarei meu tempo à minha menina e à conclusão de meu mestrado — sobre isto, falarei no momento certo.

Por hora, tentem responder as questões abaixo, cujo cerne talvez seja objeto de posts futuros.

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A fome ou a sede predispõem o indivíduo à eliminação da fome e da sede. Não existem indivíduos mais dispostos a receber água e comida do que o faminto e o sedento.

A ignorância, no entanto, não torna o indivíduo mais permeável à sabedoria; ela nem ao menos o leva a querer saber aquilo que ele não sabe. De um modo geral as pessoas se satisfazem com o pouco que sabem e o muito que ignoram; algumas chegam ao cúmulo de sentir orgulho dessa estreiteza. Em outras palavras: as pessoas que mais precisam de sabedoria, de inteligência e de conhecimento são aquelas que mais facilmente dispensam estas coisas. Estas pessoas não sabem que não sabem, não sabem que precisam saber e acreditam que já sabem tudo.

Vêm daí duas perguntas:

— Por que as pessoas são assim?

— É possível compartilhar conhecimento sem ser vítima do orgulho que as pessoas têm da própria ignorância?

(É claro que sei que parte dessas ponderações inclui a presunção de que o conhecimento é necessário para outrem, o que é algo bem parecido com ir à TV e dizer que você precisa de um novo secador de cabelos. Seja como for, eu aceito ser chamado de presunçoso desde que o leitor se disponha a demonstrar que o conhecimento pode não ser um bem necessário)

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