Democrafia

optical illusion

Respondam: 2+2 pode ser igual a 5 só porque a maioria assim acredita?

Volto ao assunto mais tarde.

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Eleições e realismo

voto

É bem esquisita a idéia que a maioria das pessoas tem de que uma eleição resolve tudo. A trajetória do PT demonstra o contrário. Ela se fez em várias eleições e não apenas em uma eleição. Ela se fez também em nível estadual e municipal, não apenas federal — ainda que a conquista da presidência tenha seu lado messiânico. Desnecessário falar das questões ideológicas, que sempre preparam o terreno para a ascensão ao poder e para sua manutenção, uma vez que ele é conquistado. Impossível compreender a trajetória do PT apenas por seu desempenho político; o solapamento de consciências é parte de sua cartilha.

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Todos os manuais dizem que se deve votar com os olhos no futuro. Mas qual futuro? Prever o trabalho formal e objetivo de um determinado candidato, se eleito, sem dúvida é útil, mas tão importante quanto isso é refletir sobre a evolução do contexto político e cultural (e, portanto, ideológico) do país a partir da eleição daquele sujeito. Mesmo que o “rouba mas faz” venha sendo sistematicamente recusado a cada eleição, o “rouba mas tergiversa” ainda conta com significativa e preocupante aprovação.

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Não há problemas em fazer do voto e de cada eleição um projeto a longo prazo. Muitos partidos fazem isso. Um bom recomeço para o país seria não reeleger ninguém e derrotar o PT, em todas as esferas. Falta-lhe motivo para isso? Faltava.

Você acha que o voto é inútil, não é? Eu também, mas me surpreende que isso não seja suficiente para que eleitores busquem outras formas de manifestar suas opções políticas e ideológicas.

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Também é esquisita a discussão sobre A ser melhor que B. “Melhor” sempre implica um recorte da realidade. A pode ser melhor administrador do que B, mas B pode ser melhor articulador político do que A, que não será tão bom do que C na consolidação de valores e princípios. Cada uma destas coisas tem alguma importância na escolha de um candidato. Em conjunto significam algo. Sozinhas não significam nada.

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É natural que muitas pessoas votem com o bolso ou com o estômago, mas é ainda mais natural e freqüente que elas concentrem seus neurônios nos momentos que antecedem a votação propriamente dita. Mesmo que isso redunde em voto nulo ou, ainda pior, em voto em branco, cada eleitor sabe que aquele voto é exclusivamente seu, é manifestação genuína daquilo que ele pensa. Um dos caminhos para a reforma política começa, claro, na reforma do próprio eleitor e o primeiro passo nesta direção é uma espécie de atestado de paternidade (ou maternidade). Não se larga filho recém-nascido no mundo; é adequado não fazer o mesmo com o voto.

Não defendo o voto aberto, mas é fácil notar que o voto secreto é meio caminho para o voto bastardo.

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Voto nulo, voto em branco, voto em candidatos/partidos nanicos — todas estas coisas são a expressão de um desejo político, claro. Amigo meu disse que o simples fato de votar implica a legitimação de um sistema que já mostrou suas deficiências. Correto. O problema é que por mais singela que seja essa idéia, qualquer que seja a expressão da maioria, ela não desfará em uma única eleição os problemas do sistema. Necessariamente uma pessoa será eleita e dependerá dela e de sua equipe a transformação desse sistema.

Como disse outro amigo meu, “se teremos que comer lixo, que tal escolhermos o lixo menos fedorento?”. Para lançar o PT no ostracismo eu topo votar em um de seus antagonistas. Engov nessas horas ajuda.

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Hussein eleito

top top top
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Liguei o PC e confirmei o que já se imaginava: Barack Hussein Obama é o novo presidente dos Estados Unidos da América.

O país mais poderoso do mundo terá seu primeiro presidente muçulmano, abortista, antiamericano, pró-Nova Ordem Mundial e assumidamente mentiroso (too late for that, mas leia, se quiser).

Que Deus proteja a América.

Politicamente atrofiados

urna eletrônica
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Apesar da massa comum que disputa as eleições a cada dois anos — gente como eu ou você, ou um pouco menos —, é comum também a idéia de que o sistema político é complexo, insondável e incompreensível. Até hoje eu não sei de quê são feitas as leis, de onde elas vêm, do que se alimentam, e raramente encontro quem possa me explicar todas essas coisas. Eu vejo o noticiário político e imediatamente me vêm à cabeça todas as profecias sobre o surgimento do Anticristo, que, afinal, não é uma pessoa, mas um sistema, uma massa ou um labirinto. O nome desse labirinto é política. Candidaturas são a expressão do desejo de encontrar a saída desse labirinto e depois cobrar ingressos para que outras pessoas possam refazer o caminho dentro dele. O voto é uma espécie de aposta que se faz na capacidade daquele sujeito encontrar a saída do labirinto, mesmo quando ele está visivelmente mais perdido do que todos nós.

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Reflexão tardia…

politicos
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…que talvez seja útil para as próximas eleições, em 2010:

No Brasil, o que leva uma pessoa a filiar-se a este ou àquele partido?

Não há aqui, como há em outros países, diferenças importantes entre as diferentes legendas políticas. Você vê alguma diferença entre PMDB e DEM? Entre PSDB e PPS? PTB e PR? Entre os partidos menores as diferenças são ainda menores. As exceções são poucas e, no fim das contas, acabam confirmando a regra.

O PT, por exemplo, pode ser considerado uma dessas exceções — tanto que existe o petismo, mas não existe o peemedebismo ou o petebismo. No entanto, depois de algumas conquistas políticas, o PT revelou seu principal objetivo: ser como qualquer outro partido, submetendo a ideologia à necessidade de conquistar e manter o poder.

O PCO e sua versão menos hilariante, o PSTU, são exemplos que reforçam a tese anterior a respeito do PT: só são o que são porque não têm poder.

O PRONA morreu com seu fundador, o Dr. Enéas — e neste caso não havia diferenças entre o partido, a ideologia, o estilo e o saudoso barbudo. Mas também neste caso não havia razões para imaginar que o PRONA manteria sua firmeza ideológica caso chegasse ao poder.

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Há, além disso, um outro aspecto: pelo fato dos partidos não terem ideologias e diferenças bem definidas, o eleitor acostumou-se a votar em pessoas. Mesmo os petistas acostumaram-se com isso (embora hoje sejam recusados justamente por culpa de seu petismo). Elegemos pessoas, não partidos. É claro que os políticos sabem disso; mesmo assim eles escolhem um partido, filiam-se e candidatam-se e atuam de modo a manter esse vínculo. Por que? Como nasce essa escolha? Como e por que ela se mantém? E mais importante: como ela se justifica?