Revolução com os filhos dos outros

parenthood

1) Infância e aborto. Aos poucos a questão em Recife revela-se mais como oportunismo do ativismo abortista do que como questão de saúde pública ou do bem-estar da criança que é o centro da questão. Caso queira entender melhor toda a história, leia isto. Para resumir: o aborto foi realizado sem parecer médico consistente de que havia risco para menina, contrariou a vontade de seu pai (que era contra o aborto) e contou com a aprovação de uma mãe claramente coagida neste sentido. A discussão fica ainda mais complicada para os abortistas diante disto e disto.

2) Proibido usar “pai” e “mãe”. Na California, um projeto de lei propõe banir os termos “pai” e “mãe” nas escolas e em materiais e documentos escolares. A proposta atende às reivindicações dos movimentos gayzistas daquele estado norte-americano. Doideira total, que reforça o que eu havia destacado num post anterior: o idioma usado em benefício do movimento revolucionário.

3) O pai adotivo e a porcaria da imprensa brasileira. A propósito da novilíngua, a imprensa brasileira já escolheu seu lado no caso do menino Sean. Matéria do Estadão chama o padrasto de pai adotivo. Repare que o pai do menino é chamado de pai biológico, reforçando o contraponto; o litígio não é entre pai biológico e pai adotivo, é evidente, mas entre pai e padrasto. Se eu fosse assinante dessa bomba, iria correndo ao Procon mais próximo.

*
Fica patente, nos três casos, o interesse que muitos grupos têm de aproveitar casos polêmicos e de grande repercussão em benefício de seus próprios interesses agendas revolucionárias — usam-nos como alavancas para a transformação do mundo.

A menina deve abortar, não importa que não haja riscos, não importa o que pensam seus pais. Não se deve falar em pai e mãe, deve-se tratá-los por nomes genéricos, já que o papai quer na verdade ser mamãe e a mamãe quer ser papai — e é bom não ofendê-los em seu desejo de contrariar o que a natureza lhes determinou. Um padrasto se transforma em pai adotivo pelas mãos de um foquinha, como se a adoção já tivesse sido legalmente resolvida antes que o litígio se constituísse.

Estes problemas parecem pequenos quando comparados com questões maiores — violência urbana incessante, as enchentes e vítimas das águas de março, crises econômicas galopantes etc. O que os torna grandes é precisamente a forma como são tratados e não o que são: questões familiares, que na pior das hipóteses devem ser resolvidas num tribunal, sem perder de foco as vidas das pessoas diretamente envolvidas no caso. O que os torna grandes — e importantes — é o fato de que esse oportunismo (da imprensa, de militantes, de ativistas, de legisladores) oferece riscos — estes sim, grandes — às nossas vidas.

E se você não vê esses riscos provavelmente já está jogando no time dos revolucionários.

.
link da imagem

Anúncios

Legislando com o bolso alheio

Anos atrás recaiu sobre minha moleira a obrigatoriedade de obter um registro junto ao Conselho Regional de Educação Física (CREF) para poder continuar a dar aulas de aikido. Na ocasião eu atuava como instrutor havia pouco mais de dois anos. A obrigatoriedade surgiu quando uma academia de ginástica instalou-se num espaço livre do hotel onde fica nosso dojo (espaço para treino de artes marciais). O dojo, então, fora engoblado pela academia, o que não constituía qualquer problema. O problema residia no fato de que deveríamos (eu e os outros instrutores) nos submeter, a partir daí, às regras às quais a academia se submetia — noutras palavras, deveríamos nos submeter ao CREF.

Na ocasião, isso significava formar-se em Educação Física ou obter um registro especial junto ao CREF. Neste caso, a exigência era comprovar a atuação profissional durante cinco anos como instrutor de aikido (o que eu não tinha) e participar de um curso oferecido pelo CREF para profissionais não formados em Educação Física (o que eu não pretendia fazer). Nos dois casos — educador físico ou não — o resultado era o mesmo: dar dinheiro ao CREF todos os anos e submeter-se à burocracia por ele criada para poder continuar fazendo aquilo que eu já fazia.

Continuar lendo

Pianissimo

são paulo metrô

Àqueles que pensam em leis e regras para tudo, que querem banir à força os combustíveis fósseis, a manteiga de garrafa e os paralelepípedos e que mal esperam a hora de exercer o direito inalienável do voto e da porrada na fuça dos defensores de ideologias alheias, um lembrete: um mundo imprestável já é suficientemente educativo.

Vão com calma, pois.