Mantra

gerald ford

Repita comigo e com o Geraldo, em voz alta:

    “Um governo grande o suficiente para lhe fornecer tudo de que você precisa também é grande o suficiente para lhe tomar tudo que você possui.”

(link, que veio do Mosca Azul)

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Alquimia da revolução

Algumas considerações sobre a lei antifumo, recentemente aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo:

Maconha pode.

— Se o que interessava era a saúde da população, por que não começaram por algo realmente sério e que afeta todos?

— A proibição das áreas exclusivas para fumantes (fumódromos) demonstra a truculência do Estado, que só descansa quando as liberdades individuais forem terminantemente suspensas. Não se surpreenda se a criatividade dos legisladores propuser meios de proibir que você fume em sua própria casa.

— O argumento da inconstitucionalidade da lei antifumo — razoável, diga-se — pode sair pela culatra: não se surpreenda se a criatividade dos legisladores propuser a criminalização do tabaco.

Eis o início da sociedade da desconfiança e uma boa amostra do «solve et coagula» revolucionário — em que todo mundo cuida da vida alheia, mesmo que não seja capaz de cuidar da própria. O mais irônico é que o dedo-duro age em nome de um Estado que não descansará enquanto não suprimir todas as liberdades individuais, inclusive a do dedo-duro.

— Grande ajuda seria mostrar as ligações entre os hábitos individuais e a saúde — e exigir responsabilidade e ponderação no consumo de qualquer substância. É necessário proibir o consumo de veneno de rato? Não. É necessário proibir o sujeito de beber só manteiga de garrafa em vez de água (argh)? Não. Pode-se argumentar que veneno de rato e manteiga de garrafa não causam dependência, mas nestes casos, como no caso do cigarro, é universal a informação de que aquela substância não é boa para a saúde e de que é possível viver melhor sem ela. Cada pessoa é livre para fazer o que quiser com essa informação, inclusive ignorá-la. O Estado deve tratar os cidadãos como adultos normais e cobrar responsabilidade no exercício da liberdade individual, não suprimir essas liberdades para forçar as responsabilidades, tratando os cidadãos como retardados.

— É interessante notar que o argumento acima é usado com freqüência em benefício da causa maconhista (não me ocorreu expressão melhor). Mas o assunto em questão é o tabaco, uma droga lícita; trata-se do cerceamento e da criminalização crescente do consumo de uma droga lícita, não da descriminalização ou da legalização de uma droga ilícita. As diferenças entre uma coisa e outra, as conseqüências sociais e os principais interessados em cada questão são evidentes. Por isso, a maconha fica para outro momento e eu espero que ninguém apele para o item anterior para desviar a discussão.

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link da imagem

Steppenwolf

steppenwolf
(link da imagem)

Uma das coisas mais difíceis para quem escreve, mesmo para alguém amador como eu, é aceitar o fato de que suas palavras constroem uma imagem de você. Enquanto lêem o que escrevo, as pessoas que não me conhecem concebem inconscientemente uma imagem de mim. As que me conhecem também concebem inconscientemente uma imagem de mim, mas esta imagem é justaposta àquela que já possuíam.

No primeiro caso existe o risco de frustrar o leitor que não me conhece quando decido alterar a imagem que ele tem de mim, por pouco que seja. Não tenho muitos leitores, claro, mas já perdi alguns quando expus minhas posições políticas ou quando decidi que iria escrever como um dadaísta. Eu não sou um sujeito político, tampouco dadaísta, mas a liberdade — que eu faço questão de ter pelo menos neste teclado e neste site — pode custar caro.

No segundo caso existe o risco de frustrar ainda mais o leitor, porque ele vem aqui buscando confirmar algo que viu lá fora — aquela justaposição nunca é despretensiosa e inocente. O problema é que a constância lá fora é maior do que aqui. Neste caso eu não sou escravo das minhas palavras; minhas palavras é que são escravas daquilo que construí fora daqui, o que significa que eu não poderia expor aqui meu radicalismo político ou meu lado dadaísta simples e exatamente porque nunca os expus em outros momentos e lugares, para essas pessoas. O contraste entre minha personalidade (ou aquilo que elas acham que minha personalidade é) e minhas palavras as feriria de alguma forma. É chato ser bonzinho, mas é muito pior ser mau.

Imaginar que não há leitor algum e que tudo que acontece aqui é exatamente igual ao processo de produção destas linhas — solitário — ajuda, mas leva a uma honestidade cruel que não pode ser mantida senão como experiência, pois crueldade genuína sempre se volta contra o dono.

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Este site passou no teste do bafômetro.

Stasi

hannibal
O novo internauta, na visão extravagante do Senado brasileiro.

O projeto de lei do senador Eduardo Azeredo representa para a internet brasileira aquilo que a Stasi representava para a Alemanha Oriental. É o Estado policial em ação, com o argumento maravilhoso de proteger o cidadão dele próprio. Combater o tráfico, solucionar a incompetência policial e reduzir o número de homicídios que é bom, necas.

O assunto não é novo, o que demonstra que a estupidez às vezes triunfa pela teimosia e pela força, não pela exatidão ou pela justiça.

Detalhes podem ser obtidos aqui e aqui também. Vale lembrar que a lei foi aprovada no Senado e segue agora para a Câmara dos Deputados.

Se você quiser fazer sua parte — e continuar a ler este site ou qualquer outro sem que o Governo Federal interfira nisso —, POR FAVOR ASSINE ESTA LISTA.

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Imagem obtida aqui.

Liberdade

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Fonte original da imagem, aqui.

Não pense na liberdade como um valor ou um objetivo, mas como uma qualidade, um estado ou um meio. Você é livre ou não é. Talvez a prisão mais cruel seja a persistência em pensar que não se é livre.

Quem faz da liberdade sua bandeira só se sentirá suficientemente livre quando puder dizer o que quer e recusar-se a ouvir o que não quer — ou quando puder fazer coisas ainda piores.

Liberdade e moralidade

Existe uma diferença entre liberdade e moralidade. A liberdade genuína existe apenas quando ela respeita alguns preceitos — o bom gosto, a justiça e a probidade, por exemplo. Pode-se ter dinheiro demais, mas não se pode defender a moralidade do excesso. A liberdade para o excesso deve ser defendida tanto quanto o fato de sua imoralidade intrínseca. Para esta, o repúdio. Para aquela, a ação e a responsabilidade — e não queira ser engraçadinho ao ponto de mencionar responsabilidade social; eu me refiro a uma virtude, não a um panfleto.

Talvez este seja um ponto em que se pode também separar liberdade e libertinagem. Extraia a responsabilidade da liberdade. Eis a libertinagem, que não reconhece qualquer autoridade moral — nem a do indivíduo sobre si mesmo, muito menos a dos mestres ou das tradições sobre o indivíduo.

O que se tem hoje é a liberdade sem responsabilidade. Com o pretexto de não ceder a governos corruptos e à hegemonia da estupidez coerciva, defende-se a liberdade irrestrita — onde “irrestrita” é a palavra importante. Mas o sábio, este é livre justamente porque cede a quem ele deve sua sabedoria e por isso sabe ceder, sabe entregar sua liberdade e não se preocupa com isso sem antes preocupar-se com os preceitos que o tornaram sábio, a começar pela humildade. E assim não comete excessos. E assim é sempre moral e livre.