Nóis se forma mais se diverte

Para registrar apenas, porque isso foi bem divertido:

Comentei uns posts atrás que havia concluído o mestrado na FAU-USP. A banca de apresentação e defesa da dissertação aconteceu numa sexta-feira, dia 22 passado.

Anteontem, dia 1º de junho, recebi carta da mesma FAU-USP informando que a banca seria naquele dia, 22 de maio. O mais interessante é que o carimbo no envelope indica que a carta foi enviada no dia 25. Infelizmente a data da própria carta sumiu porque a cachorrada feizufavô de comer o cabeçalho.

Resumindo: a banca acontece num dia; três dias depois o aviso de que a banca vai acontecer é enviado pelo Correio; o aviso finalmente chega ao seu destino doze dias depois da banca ter acontecido.

Eu entendi direito ou estou preso num vórtex temporal?

Owari

clavin thesis
Imagem meramente ilustrativa

Fim.

Depois de três anos no mestrado da FAU-USP, a dissertação foi entregue, avaliada, apresentada e discutida com três professores. Falta apenas pegar o certificado ou diploma — não sei como chamam isso na pós-graduação.

Quem tiver muito, mas muito interesse em saber mais sobre minha dissertação ou até baixá-la e lê-la na íntegra, vá até o Insular. Como muitos notarão, eu a disponibilizei por lá porque toda a pesquisa é sobre a cidade de Ilhabela.

Janelas abertas

open window

A vantagem de escrever coisas cada vez mais pessoais é livrar-se da obrigação de mentir. Eu não preciso inventar assuntos, fingir interesse por coisas que na melhor das hipóteses tornam a passagem do tempo mais suportável, aplaudir coisas sérias demais que só interessam a pessoais sérias demais.

Os riscos de mostrar-me como sou, um sujeito ordinário, são compensados pela chance e pela alegria de poder dedicar-me às coisas de que realmente gosto e de tornar-me um pouquinho menos ordinário, s’il vous plaît.

Eu disse, por exemplo, que não mais trataria de notícias aqui. O Governo Federal merece tanto espaço aqui quanto em minha casa ou em meu subconsciente. O mesmo vale para atualidades atuais demais ou quase tudo aquilo que reluz artificiosamente, como páginas de revistas, a imagem das TVs e carros recém-saídos das concessionárias. Esse brilho não existe em pessoas autênticas, porque elas não se importam com a sujeira delicada das estradas de terra e das imperfeições alheias — porque elas não escondem as delas próprias e não têm nojinho de andar (descalças ou com charmosos chinelos de dedo vermelhos) em estradas de terra e se você lhes pede para andar uma milha, elas andam contigo duas, três ou mais.

Diante disso tudo, é razoável que eu fale da única coisa que eu realmente conheço: eu mesmo. Não há nisso a presunção de que sou tão interessante quanto os assuntos realmente importantes que têm aparecido neste site. Há nisso uma verdade simples: a única forma de não mentir e de não falar de assuntos que eu não conheço é falar de mim mesmo, esperando naturalmente que o leitor a quem eu não interesso seja tolerante e sinta-se à vontade para ler outra coisa — és bem-vindo a qualquer momento, sabe.

Em essência, o que faço aqui é o que faço todos os dias: deixo a porta e as janelas abertas. Às vezes chove dentro e o vento já entrou quebrando coisas preciosas, mas há pássaros que pousam sobre a minha mesa e de meu posto sempre dá para ver o céu.

Eu não vou escrever em miguxês (o que seria ofensivo) e também não vou mostrar minha gaveta de cuecas (o que seria grotesco). Mas não vou esconder e fingir, insinuar e ironizar («Seja o seu sim, sim, e o seu não, não; o que passar disso vem do Maligno»), não vou esconder coisas importantes se a única razão para escondê-las for vergonha (que também é egoísmo) — o que não implica expô-las por puro exibicionismo ou por orgulho bobo de fazer algo que milhões de pessoas sabem fazer melhor do que eu.

Eu sei que valho pouco, mas sou tudo que tenho.

A graça de expor coisas pessoais é expor-se ao risco de aperfeiçoá-las e com isso aperfeiçoar a própria vida. Não são poucas as chances de que passe aqui alguém que sabe muito mais do que eu das coisas que estudo e às quais me dedico. Logo, há chances de torná-las melhores para mim mesmo.

Também há chances — menores, é claro — dessas palavras servirem para outras pessoas da mesma forma que descrevi acima. Já houve quem encontrasse aqui uma boa leitura, uma boa imagem, uma boa idéia, uma boa orientação. É raro, mas acontece. E nestes casos, mesmo tão poucos, este site fica automaticamente justificado e ficam automaticamente perdoadas as bobagens que fiz meus oito leitores fiéis tolerarem. Minha gratidão, portanto.

Bom, tem muito mais aí embaixo.

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Retornando

Como alguns puderam notar, este site esteve fora do ar durante algumas horas desta última sexta-feira (24 de maio). Houve um problema em meu servidor, que felizmente já foi resolvido.

Aproveito a oportunidade para fazer um jabá. Fatuch é o servidor que uso desde dezembro do ano passado. Através desta empresa fiz o registro do domínio deste site (.org) e adquiri espaço para hospedagem (800MB). Estes dois serviços custam R$50 por ano. Uma bagatela. Além da excelente relação custo-benefício, o suporte deles é eficiente, simples e direto — não apenas resolveram o problema rapidamente, como me mantiveram informado sobre os problemas que surgiram. Recomendo.

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Fiquei alguns dias fora para cumprir algumas obrigações acadêmicas e matrimoniais. Claro que não é muito adequado usar a palavra “obrigação” para me referir a duas coisas que faço com muito gosto. Tema de pesquisa e namorada a gente sempre escolhe.

Minha pesquisa avança lentamente. Tento conciliá-la com a necessidade de pagar minhas contas — que felizmente são poucas. Esta foi a obrigação acadêmica cumprida recentemente: conseguir uma bolsa de estudos. Não a consegui ainda, apenas finalizei e entreguei os documentos necessários para consegui-la. Mas se algum mecenas quiser se antecipar à agência de apoio à pesquisa e patrocinar este humilde pesquisador, contate-me por favor.

No momento adequado devo falar de minha pesquisa neste site.

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Aproveitei os dias que passei em São Paulo para ver Homem-Aranha 3 com minha namorada. Havia uma conspiração silenciosa para que não fôssemos ao cinema ver esse filme — confusões com horário, o sempre horrível trânsito da capital, o frio cada vez mais intenso. Mas finalmente vimos o terceiro filme do super-herói.

No mesmo cinema estava em cartaz o documentário sobre Oscar Niemeyer, lenda viva da arquitetura. Niemeyer faz parte da fase heróica da arquitetura moderna brasileira. Logicamente o heroísmo do arquiteto para o Brasil não é semelhante ao heroísmo de Peter Parker para Nova York — mesmo que ambos sejam tomados metaforicamente.

O filme, aliás, é muito bom.