A redenção através da música

Quando me aproximei do Budismo — como amador, isto é, alguém que se lhe chega por estar sofrendo de dores não-físicas — meus dias eram entremeados de escrita pessoal, música e longos períodos caminhando e pedalando.

Todas estas coisas contribuíram imenso para construir o que alguns chamam de «paisagem interior». Revirando a memória, noto que até então eu não possuía nada que se parecesse com uma «paisagem interior», o que facilmente abre espaço para a criação de inúmeros «infernos interiores» (perdoem o pleonasmo) e, claro, lança o indivíduo em buscas que invariavelmente dão em nada, nas melhores hipóteses.

Houve leituras importantes, textos importantes (nenhum deles publicável, felizmente, porque não me agrada a idéia de que as pessoas possam se interessar genuinamente por coisas que escrevi logo depois de sair da adolescência), caminhadas importantes, viagens de bicicleta importantes. Mas houve principalmente músicas importantes.

Dizem algumas pessoas que os aromas trazem as memórias mais ricas que uma pessoa pode ter. No meu caso, a música é o que me causa esse resgate. E não me refiro apenas às músicas propriamente ditas. O chiado de um velho LP ao fundo de uma simplória valsa de Chopin pode ser tão importante quanto o próprio piano para que eu consiga redesenhar a paisagem interior daquela época. Este redesenho também se apóia na paisagem exterior e, ouvindo músicas de outrora, é bastante fácil ver-me novamente trilhando caminhos que já trilhei e esmiuçando idéias antigas.

Não há nisso qualquer traço de nostalgia, apenas a vontade simples de compreender o que já foi, porque, como diz o clichê, se há alguma chance de antever o próprio destino, esta chance está na observação despojada da própria história e da história dos próprios pensamentos. Embora seja impossível saber de onde eles vieram, sempre é possível ouvir novamente os sons que lhes inspiraram — e me redimir.

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A propósito, algumas músicas que moveram este texto:

De Dvorak, 2º movimento da Sinfonia nº 9 «From the New World»

De Chopin, Balada nº 4, parte 1 e parte 2

De Albeniz, Córdoba e Sevilla.

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Utilidade pública

1001 discos

O título mais correto para este post seria “Muita música para o domingo”, resgatando o antigo costume que eu tinha de postar músicas aos domingos.

Sabe aquele livro “1001 discos para ouvir antes de morrer”? Uma boa alma reuniu todos os discos e os disponibilizou para download. Corra lá antes que os links desapareçam.

É Natal

É um alívio saber que o mestre não viu esta capa.

ray charles christmas
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Ok, parei. De volta à nossa programação normal.

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link da imagem (donde, aliás, pode-se baixar o CD)

Música para o domingo

jean pierre rampal

Instrumentos de sopro

Wynton Marsalis ganhou fama no Jazz. Mas a formação erudita do trompetista logo veio à tona em execuções primorosas de concertos para o instrumento, principalmente barrocos. Aqui o músico interpreta o rondó do concerto para trompete de Hummel, compositor austríaco contemporâneo de Beethoven.

De Mozart, o primeiro movimento do concerto para clarineta K.622, uma de suas últimas obras e o primeiro movimento do concerto para flauta nº1, K.313.

De Bach, a famosa Badinerie da Suite orquestral BWV1067 e a íntegra da sonata para cravo e flauta BWV1020 — esta com Jean Pierra Rampal, considerado o maior flautista do séc. XX.

Quem não conhece o fagote pode estranhá-lo no começo. Embora menos famoso do que a flauta e o trompete, há diversos concertos para esse instrumento. Vivaldi compôs 39. Um deles é o concerto em mi menor, RV484.

Para encerrar, o primeiro movimento de um dos quintetos para piano e instrumentos de sopro de Beethoven.