Fotos, votos e quimeras

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— As coisas andam lentas por aqui porque eu estou numa fase mais visual. Não costumo misturar imagens com pensamentos — é como misturar fermentado com destilado –, mas talvez eu me arrisque em breve e tente transmitir aqui parte do que me veio à mente quando saí de bicicleta para fotografar.

— Minha avó fez 80 anos neste 8 de abril. Ariana, monossilábica e digna da vida longa que tem. Ela já não faz mais os bolos que adoçavam os domingos meus e de meus primos, mas segue como símbolo de muitas outras coisas boas. Que Deus a abençoe.

Páscoa é renascimento. Há data mais feliz e auspiciosa do que esta? Que todos celebrem com suas famílias e sejam igualmente abençoados com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

— Poucas coisas são tão importantes quanto o bom coração. É virtude rara não ver o mal ao observar as ações de outrem. Você vê um motorista dirigindo perigosamente e sabe que pode imaginar que ele tem uma boa razão para ter pressa — e deseja, com sinceridade, que ele chegue salvo e em plenas condições de se refazer da perturbação em que se encontrava. Imaginar e desejar o mal é fácil; reconhecer o bem onde quer que haja chances dele existir, por menores que sejam, é difícil e necessário. Não há receita; há prática constante. Ter bom coração filosófica, intelectual e espiritualmente falando assemelha-se a tê-lo em termos fisiológicos — cuidado, atenção, exercício e nutrição.

A revista Claudia mergulhou definitivamente no lodaçal do aborto. Entre os sofismas aos quais a extensa matéria apela está a idéia de que a legalização do aborto é sinal de progresso e de que ser contra é sinal de medievalismo — assim, simplesmente, na cara dura mesmo; há até infográficos. Defender a vida não é algo que dependa do tempo, do lugar, da cultura; não há momento inadequado para defender a vida, não há cultura em que a morte de um ser humano inocente seja moralmente defensável e desejada. Só no mundinho satânico dos abortistas é possível lutar com todas as forças pelo direito de acabar com vidas inocentes e regozijar-se com isso. É a crueldade em seu estado mais puro. Aliás, quem quiser descer o porrete na revista Claudia, use este link.

— Só eu tenho nojo do racismo do presidente? Num país decente todo racismo é repudiado. Num país indecente, depende do matiz. Alguém pede explicações, mas não processa.

Deputados paulistas aprovaram lei antifumo que proíbe até os fumódromos. O cerco aos fumantes deixou as coisas assim: o único espaço fechado em que você pode fumar é a sua casa (permite-se o fumo em tabacarias, mas onde há uma? a mais próxima da minha casa fica a uns 250km daqui). Eu não gosto de cigarros, mas gosto menos ainda de quem queira interferir na liberdade de estabelecimentos comerciais — eles que se entendam com seus clientes e os deputados que procurem algo mais importante para fazer. O crime e o trânsito matam muito mais e cadê esse pessoal pago com dinheiro público fazendo algo?

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