Strogonoffobia

penne02O strogonoff é meu e eu faço como eu quiser.

Uma das discussões mais divertidas que já vi na Internet foi sobre strogonoff (alguns leitores preferirão a grafia «estrogonofe», ou ainda o original russo строганов, que romanizado fica «stroganov», que por sua vez pronuncia-se «strogonoff», que é a grafia mais popular atualmente; caso busque em sites estrangeiros, a grafia no inglês é «stroganoff»). Aconteceu numa das comunidades do Orkut relacionadas a esse prato — «Amo Strogonoff», «Adoro Strogonoff» ou algo do tipo. Infelizmente não consegui localizar a discussão, mas o resumo é mais ou menos o seguinte.

O tópico tratava da receita original de strogonoff.

Uma pessoa iniciou o tópico mencionando a origem russa do prato e como ele devia ser preparado sempre com carne bovina, creme azedo (uma variação do creme de leite fresco), mostarda em pó e vinho branco seco, além de outros ingredientes pouco conhecidos das pessoas acostumadas com as inúmeras variações brasileiras desse prato (um bom ponto de partida para saber mais sobre isso é o verbete na Wikipedia).

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Cinco causas que você precisa conhecer (e combater)

1) Desarmamento

Mal a imprensa concluiu seus rituais de necrofilia no caso do massacre de estudantes no Realengo (RJ, Capital), logo em seguida apareciam representantes do Executivo e do Legislativo Federal dizendo que novas ações de desarmamento deveriam ser discutidas. O presidente do Senado foi além e formalizou o pedido de um novo referendo sobre a proibição da produção e do comércio de armas no Brasil.

Alguém me explique a lógica que há em campanhas e ações para tirar armas legais de circulação. O psicopata que atacou a escola usava armas ilegais e foi neutralizado graças a uma arma legal.

O governo, com o pretexto de resolver um problema de sua responsabilidade que ele não consegue resolver, oferece como solução a eliminação da única possibilidade que a população civil tem para lidar com esse problema. Desarmar bandido (que por definição só usa arma ilegal) que é bom, necas.

Mesmo que você não pegue em armas, tente imaginar algo pior do que um país em que todas as armas disponíveis estão nas mãos de criminosos e de um governo totalitário.

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Fotos, votos e quimeras

smoking

— As coisas andam lentas por aqui porque eu estou numa fase mais visual. Não costumo misturar imagens com pensamentos — é como misturar fermentado com destilado –, mas talvez eu me arrisque em breve e tente transmitir aqui parte do que me veio à mente quando saí de bicicleta para fotografar.

— Minha avó fez 80 anos neste 8 de abril. Ariana, monossilábica e digna da vida longa que tem. Ela já não faz mais os bolos que adoçavam os domingos meus e de meus primos, mas segue como símbolo de muitas outras coisas boas. Que Deus a abençoe.

Páscoa é renascimento. Há data mais feliz e auspiciosa do que esta? Que todos celebrem com suas famílias e sejam igualmente abençoados com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

— Poucas coisas são tão importantes quanto o bom coração. É virtude rara não ver o mal ao observar as ações de outrem. Você vê um motorista dirigindo perigosamente e sabe que pode imaginar que ele tem uma boa razão para ter pressa — e deseja, com sinceridade, que ele chegue salvo e em plenas condições de se refazer da perturbação em que se encontrava. Imaginar e desejar o mal é fácil; reconhecer o bem onde quer que haja chances dele existir, por menores que sejam, é difícil e necessário. Não há receita; há prática constante. Ter bom coração filosófica, intelectual e espiritualmente falando assemelha-se a tê-lo em termos fisiológicos — cuidado, atenção, exercício e nutrição.

A revista Claudia mergulhou definitivamente no lodaçal do aborto. Entre os sofismas aos quais a extensa matéria apela está a idéia de que a legalização do aborto é sinal de progresso e de que ser contra é sinal de medievalismo — assim, simplesmente, na cara dura mesmo; há até infográficos. Defender a vida não é algo que dependa do tempo, do lugar, da cultura; não há momento inadequado para defender a vida, não há cultura em que a morte de um ser humano inocente seja moralmente defensável e desejada. Só no mundinho satânico dos abortistas é possível lutar com todas as forças pelo direito de acabar com vidas inocentes e regozijar-se com isso. É a crueldade em seu estado mais puro. Aliás, quem quiser descer o porrete na revista Claudia, use este link.

— Só eu tenho nojo do racismo do presidente? Num país decente todo racismo é repudiado. Num país indecente, depende do matiz. Alguém pede explicações, mas não processa.

Deputados paulistas aprovaram lei antifumo que proíbe até os fumódromos. O cerco aos fumantes deixou as coisas assim: o único espaço fechado em que você pode fumar é a sua casa (permite-se o fumo em tabacarias, mas onde há uma? a mais próxima da minha casa fica a uns 250km daqui). Eu não gosto de cigarros, mas gosto menos ainda de quem queira interferir na liberdade de estabelecimentos comerciais — eles que se entendam com seus clientes e os deputados que procurem algo mais importante para fazer. O crime e o trânsito matam muito mais e cadê esse pessoal pago com dinheiro público fazendo algo?

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Igualdade racial para quem?

Pergunta: E no Brasil tem racismo também de negro contra branco, como nos Estados Unidos?
Resposta: Eu acho natural que tenha. Mas não é na mesma dimensão que nos Estados Unidos. Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Não que a declaração da ministra Matilde Ribeiro surpreenda. Mas dita assim, com todas as letras, de uma forma que mescla ingenuidade e estupidez, vinda de uma pessoa cuja tarefa declarada é promover igualdade racial, é medonho. Na cabeça da ministra, os negros podem até ser racistas, o que deixa claro que, no que depender da autoridade responsável por promover a igualdade racial, a lei que pune os crimes de racismo será aplicada a apenas uma parte da população.

Igualdade racial no Brasil, só para os negros. Como diz o ditado, todos somos iguais, mas alguns são mais iguais que os outros. 

A situação está afrodescendente

Ouvi de um amigo, sobre o caso Grafite:

O Grafite deveria ter revidado a ofensa. Deveria ter dito ao jogador Desábato: “Seu argentino!”.

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Por falar no episódio:

Que a atitude do argentino foi infeliz, disso não há dúvida. Mas a infelicidade está menos na atitude do que em sua incapacidade (típica de argentinos no Brasil? Hm…) de escolher uma ofensa ou um idioma menos compreensível para os brasileiros — como se diz “preto de m…!” em alemão? Juízes estão acostumados a ouvir torcedores arremessar impropérios sobre suas mães. Jogadores de futebol têm vocabulário mais rico, que, além de mencionar as mães dos jogadores do time adversário, inclui fornicação e canais retais. Jogadores, juízes e torcedores estão acostumados ao clima amistoso, elegante e gentil que envolve as partidas de futebol, principalmente as decisivas e principalmente as que envolvem brasileiros e argentinos. Mas aí vem uma autoridade — que provavelmente nunca jogou bola — e estraga tudo, sem perceber que o politicamente correto acabará com pelo menos metade da diversão. Ou um jogador deve ser indiciado por agressão física ao entrar mais forte numa dividida? Se um goleiro se sentir arruinado por levar um frango, ele pode processar o artilheiro por ter lhe causado irreversíveis danos psicológicos? Alguma vez um campo de futebol foi um território civilizado? Ah, não me venha com essa agora.

Em breve, nos estádios brasileiros, jogadores pedindo licença para driblar um zagueiro e pedindo desculpas ao goleiro do time adversário depois de ter feito um gol.