Summum bonum

buddha cards

O que é bom e o que não é bom — será que é tão difícil distinguir essas coisas, tão difícil que o indivíduo sente-se à vontade para declarar confusão em defesa própria?

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A perspectiva da própria insignificância, da morte e da extinção absoluta — todas as coisas que reduzem a condição humana àquilo que ela é ou àquilo que é seu destino podem ser superadas com ações que melhorem o mundo substancialmente, que tornem pessoas, ambientes, processos e coisas melhores.

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A presunção da qualidade não dispensa o indivíduo do exame constante da universalidade dessa presunção. Obviamente, esse exame começa dentro de si, não lá fora, no quintal alheio.

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Stricto sensu, a inexistência da maioria das pessoas poderia tornar o mundo melhor — ambientalistas, principalmente, têm argumentos bem elaborados a respeito disso e a noção de utilidade não abençoa todos igualmente. Mas não existe mundo em sentido estrito — aliás, existe algo em sentido estrito? Idéias revolucionárias erram com freqüência, e erram não apenas nas conclusões, mas nos pressupostos e sobretudo na facilidade com que tomam o mundo de uma forma rasa, como se os frutos da razão antecedessem a realidade.

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O mundo só pode ser encarado seriamente da forma como ele é — em sentido amplo, subjetivo, pessoal. Entendê-lo exige intimidade e isso não é possível a quem alimenta nojos e idéias como quem trata de gatinhos recém-nascidos.

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Em teoria, nada existe, nada basta, nada é suficientemente bom. Você pode ficar o resto da vida discutindo, se quiser, mesmo que esteja sozinho, e isso não lhe dará nenhuma garantia de que ao final você estará dois centímetros mais próximo da Verdade do que estava quando se tornou ranheta.

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A buddhist walks up to a hot dog stand and says to the guy: “Make me one with everything”.


A anedota prossegue, mas só faz sentido em inglês mesmo:

The guy makes the hot dog, and gives it to the buddhist. The buddhist pays with a twenty. The guy turns away, starts to leave.

Buddhist: “Where’s my change?”
Hot dog guy: “Change must come within.”

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Discutindo e andando

dogs arguing

O problema de discutir é que é possível encontrar bons argumentos para praticamente qualquer coisa. Isto significa que numa discussão uma avaliação honesta dependerá de fatores muito elásticos. Por exemplo, se você estiver empapado de suor, sob calor de 40°, dificilmente terá a serenidade para discorrer sobre as benesses dos dias de verão — e dificilmente perceberá que isso não prova nada contra o calor ou a favor dele.

Pode-se falar bem ou mal sobre os dias de verão, o consumo de carne, a cor azul, as gravatas-borboleta, as religiões, a música de câmara e os jornais impressos — mas poucos argumentos serão capazes de superar o gosto e encerrar a discussão de uma maneira agradável para todos os interlocutores e observadores. Todas essas coisas podem ser avaliadas segundo critérios técnicos e até mesmo o gosto pode ser compreendido desta forma, com a ajuda de pesquisa científicas, equações e tabelas, mas o que encerra um assunto é algo de cujo desconhecimento nos orgulhamos — nossa própria vontade, nosso próprio desejo. Um bolo pode ser nutritivo e bem feito, mas o escolhemos porque ele satisfaz, porque é gostoso e bonito, porque enche a boca, os olhos e a barriga.

É possível, no entanto, conduzir certas discussões de uma forma menos subjetiva — e essa possibilidade torna-se necessidade à medida que o assunto diz respeito a um número cada vez maior de pessoas. Quando nos despojamos de critérios subjetivos demais, lembramos que as discussões são feitas mais de opiniões do que de observações, mais de idéias do que de fatos.

Questionado sobre a validade de seus milagres, Jesus não respondia com teorias ou doutrinas. Ele apenas dizia: “olha e vê o que fiz” (Lc 7:20-23).

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