Quatro em um


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Não morri, não fui preso (meu avô sempre perguntava se eu havia sido preso quando ficava muito tempo sem visitá-lo), não estou morando num mosteiro. Apenas mudei de cidade. Estou passando um tempo — semanas, meses, anos ou a vida toda, ainda não sei — longe de minha cidade, praticando e estudando yoga.

Uma das conseqüências do estudo de uma disciplina espiritual é o distanciamento da rotina anterior, supostamente não-espiritual. Isto explica minha ausência. E também explica meu crescente desinteresse por todas as coisas que não tenham relação com a disciplina em que me coloquei. Não se trata de empáfia, como ocorre com freqüência com os iniciados, mas de comedimento, moderação ou, como se costuma dizer, de freio na língua. Trata-se de não abrir a boca sobre assuntos desconhecidos, porque o estudo mostra nosso desconhecimento e os riscos de apostar na própria erudição. Você vê adiante a longa trilha que tem a percorrer e sabe que falar é perda de tempo, é desvio, é estupidez. E por isso se cala e volta-se para sua disciplina.

Por isso a ausência e o silêncio.

Entretanto, como é sensato não deixar este site desvanecer, eis alguns tópicos que têm me acompanhado estes últimos dias.

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Yoga

Aquilo que usualmente se chama yoga é na verdade um ramo do yoga: o hatha yoga, que em grande parte limita-se à prática de asanas (lê-se «áçanas») e à preparação do corpo para a meditação. Uma das descobertas mais interessantes nestes meus primeiros dias como estudante de yoga está relacionada à insuficiência da prática física — ou à sua natureza transcendental. Contorcer-se é bom, mas não é o bastante. A prática de asanas melhora a saúde, reforça os músculos, previne problemas articulares, torna a postura mais bonita e equilibrada, beneficia a respiração, a circulação e a condição física geral do indivíduo. Mas lapidar o espírito é outra coisa. O praticante pode tornar-se um paspalho narcisista ao perceber os primeiros resultados da prática dos asanas e permanecer assim indefinidamente.

Outro problema, não menos sério, é que o praticante também pode tornar-se um paspalho narcisista ao perceber os primeiros resultados do yoga sobre o espírito. A ascese genuína não dá espaço para efeitos colaterais desse tipo; saber identificá-la e distingui-la é parte do treinamento do yogi.

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Leituras

    O modo como a cultura torna os seus filhos sociáveis é lhes ensinando a confiar primeiramente nos julgamentos que estão fora deles mesmos. Para socializar uma criança você precisa inspirar nela somente três princípios: aceitar a informação vinda de fora, buscar as recompensas exteriores e ignorar a voz interior, caso ela conflite com o que vem de uma autoridade externa. Essa é a maneira de treinar uma criança para que ela seja membro de uma sociedade. Por isso, quando a mãe diz «faça isso», você faz, mesmo que sinta em seu coração que não é o certo. Se você se sair bem agindo dessa forma, será bem-sucedido na sociedade; caso contrário, será um proscrito.

    Quando dizemos «confie na sua intuição», quando passamos a encorajar isso, estamos revertendo o processo. Quando despertamos, começamos a agir de dentro para fora, e não de fora para dentro — e essa é a transformação que realmente buscamos. Ela conduz a um comportamento baseado não no auto-interesse esclarecido, mas nos mecanismos de um coração desperto.

Trecho de Caminhos para Deus — Ensinamentos do Bhagavad Gita, de Ram Dass.

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Opera 10

O melhor navegador da atualidade ainda está em fase beta, mas traz inovações que podem tirá-lo do injusto ostracismo em que se encontra (não à toa, o Opera é injustamente conhecido como «o melhor navegador que ninguém usa»). Além da tradicional velocidade e grande quantidade de recursos, a atual versão do Opera traz o serviço Opera Unite, um novo conceito de compartilhamento de dados.

Com o Opera Unite o PC se torna um servidor com a capacidade de compartilhar arquivos, imagens, músicas. Sem novidades, você dirá, porque diversos programas fazem isso — como os programas de torrent e de compartilhamento P2P. A diferença é estes programas fazem todas essas coisas separadamente. O Opera Unite reúne todas as funções de compartilhamento de arquivos (e várias outras funções) no navegador, tornando-as mais fáceis e rápidas de utilizar, sem necessidade de uploads, sem necessidade de add-ons ou plugins.

Saiba mais aqui.

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O triunfo do indivíduo

Acho que encontrei resposta para uma dúvida antiga e freqüente (freqüente, sim, eu estou me lichando para a súcia ortográfica): num mundo cada vez mais desorganizado e sobrecarregado com informações contraditórias ou falsas, como encontrar equilíbrio, paz de espírito e, mais importante, como encontrar a Verdade?

A resposta está no indivíduo. Sua consciência é naturalmente capaz de testemunhar a realidade e interpretá-la e distinguir o real do irreal, a verdade da mentira, a ordem do caos. O filósofo Olavo de Carvalho expressa essa idéia de forma brilhante na frase que apresenta seu site: «Somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer.»

Perco-me com freqüência no excesso de notícias, de escritos, de idéias, de discussões. Encontro-me quando deixo estas coisas de lado e busco o indivíduo (ou os indivíduos) por trás de tudo — minha própria consciência e a consciência de quem transmite a informação. Ocorre então uma identificação semelhante àquela cumplicidade que ocorre entre autor e leitor (nos bons livros). Vejo a pessoa que se manifesta, que escreve, que diz algo, que realiza estas ou aquelas ações. E a confusão se desfaz: a pessoa manifesta claramente tudo aquilo que supostamente permanece invisível ou intocável, ela completa as lacunas eventualmente esquecidas.

Não são idéias, não são notícias, não são discussões — são indivíduos. Boa parte dos problemas deste mundo está na facilidade de ignorar as pessoas e tomá-las por aquilo que nunca serão — qualquer coisa, menos gente.

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Opera 9.6

Baixe o Opera 9.6 — Você mais rápido

Foi lançada hoje a versão 9.6 do Opera, um dos melhores navegadores da atualidade. Faça o teste e constate que o Opera é:

— mais leve e estável que o Chrome
— mais completo e personalizável que o Firefox
— mais fácil de usar que o Internet Explorer
— mais seguro e rápido que o Safari
— mais eficiente que o Outlook e o Thunderbird (sim, o Opera é um poderoso cliente de emails também)
— mais prático que o Google Reader (sim, o Opera também lê feeds)

O Opera também possui vários recursos interessantes:
– sincronização automática de favoritos, notas e feeds, que assim podem ser acessados de qualquer lugar, com segurança e privacidade
mouse gestures para navegação (disponível no Firefox só com plugins)
— previews de feeds
— gerenciamento de torrents
— bloqueio de conteúdo, como propagandas, banners etc., o que agiliza a navegação
— busca rápida de conteúdo (sites, emails, feeds, notas etc.)

Saiba mais sobre o Opera aqui (site oficial).
Baixe o Opera aqui.

Leia também o teste da revista Veja com diversos navegadores. O teste avaliou a versão 9.5 do Opera. A versão 9.6, é claro, está ainda melhor.

Por que não vou usar o Google Chrome

google chrome

Que fique claro que o testei e pesquisei e li sobre ele; não costumo agir à base de “não vi e não gostei”. Testei o novo navegador da Google e o achei bem rápido. Naturalmente, para os aplicativos da Google (GMail, Orkut e o próprio buscador) o Chrome é imbatível. Para os demais sites, a performance é menos impressionante, embora um pouco melhor do que a de outros navegadores.

O Google Chrome é um navegador muito enxuto. Usuários do Firefox e do Opera 9.5 estranharão o visual simples, limpo e sem muitas possibilidades de personalização. Há poucas barras de ferramentas, poucas opções de configuração; tudo em nome da simplicidade e da velocidade da navegação. Mas calma, pois o Chrome ainda é beta está na primeira versão.

Mesmo assim, o Chrome certamente não será meu navegador padrão. Explico por que:

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Testando II

Graças ao Igor — cujo Dicionário Invertebrado merece muitas visitas — pude descobrir que o layout que uso neste momento não funciona corretamente no Internet Explorer.

O Browser Webshots permite visualizar seu site em diversos navegadores e para minha surpresa o meu fica totalmente desalinhado no Internet Explorer (6 e 7). Em todos os outros navegadores não há qualquer problema.

Por isso, a quem usa Internet Explorer para acessar este site, peço paciência (e recomendo — vamos lá — que use o Opera ou pelo menos o Firefox).

Ao Igor, obrigado pela dica. A todos, muito obrigado pela paciência.

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Update (para não criar outro post pra falar do mesmo assunto, atualizo este que já existe): como podem notar, o site voltou ao que era antes. Não consegui resolver os problemas de compatibilidade dos dois temas que tentei instalar e o site está novamente funcionando sem problemas em todos os navegadores e em todas as resoluções de monitor (eu acho). Seja como for, peço aos mais pacientes a gentileza de me avisar de qualquer eventual problema. Aos que me acompanharam nestes últimos dias, agradeço a paciência e a atenção. E continuo recomendando a todos o Opera (v. acima), que foi o único navegador que rodou bem este site, independentemente do layout ou da resolução de monitor.

Salinger & cia.

Mais do mesmo — para achar Marcio Thomaz Bastos a última coca-cola do deserto, basta ver quem é o novo ministro da Justiça. Daí eu lembro daquela frase “Nada é tão ruim que não possa piorar”.

Filmes — estive no cinema para ver Borat. A companhia era maravilhosa. O filme era muito fraco. Fez rir em alguns momentos e chegou a divertir, mas perdeu para reprises de Spiderman e de Nikita (a de Besson) que vi na TV dias depois. Não que eu esperasse que fosse diferente, mas o que se espera de um filme inédito é que seu ineditismo seja uma vantagem sobre qualquer reprise. Não foi este o caso.

Internet Explorer x Opera — ontem, acessando meu site num computador antigo (thanks, bro), percebi que ele fica com uma aparência estranha no Internet Explorer 6. Como sei que muitas pessoas ainda usam este navegador, sugiro a atualização para o Internet Explorer 7 ou, melhor ainda, troquem-no pelo Opera — de longe o mais rápido, mais completo e mais seguro navegador que existe.

Moribundo — fiquei de cama durante aproximadamente 36 horas no começo desta semana. É bastante curioso observar o mundo desde a horizontal obrigatória do repouso absoluto. Tudo muda quando você não tem forças sequer para manter-se em pé. Ainda que algumas leituras sejam prazerosas nessas condições, a cabeça não funciona adequadamente. Você pode até querer registrar a leitura, elaborar algum pensamento interessante a respeito disso, mas a impressão que vem é a de que uma energia preciosa (vital, naquela circunstância) será desperdiçada. E esta, entre tantas outras, é a lição que fica: pensar cansa. Não é algo ruim, tampouco deve ser evitado, mas é algo que cansa, que efetivamente consome energias, inclusive físicas.

Salinger — chego à metade de The Catcher in the Rye podendo dizer que este foi o primeiro livro em inglês que li inteiro e com interesse até o fim. (decerto é uma vergonha admitir isso; ter uma cultura limitada a textos publicados em português brasileiro é um desvio mortal em dias de hoje — leia-se “nos últimos 20 anos”). É um bom livro. A escrita é fluida e imbricada, fácil e psicológica ao mesmo tempo. A história pode não interessar a tantas pessoas — não ao ponto de justificar a fama que o livro adquiriu desde seu lançamento, em 1951 –, mas quem tiver interesse, pode baixar o e-book aqui.

Obrigações — eu não poderia ter ficado tantos dias longe de casa sem ter revisto uma lição que considero fundamental: a facilidade com que cada um de nós crê que o universo gira ao seu redor. Não é um egoísmo simples. É um egoísmo somado a doses consideráveis de arrogância e de preguiça. O problema não é espernear exigindo das pessoas aquela atenção que naturalmente nunca virá. O problema é que isso conduz a uma falha mais grave: esquecer das próprias obrigações e das próprias responsabilidades. O sujeito não se limita a cobrar de outrem algo cujo direito não lhe pertence, ele precisa ir além e virar o mundo de cabeça para baixo usando a suposta falta alheia como desculpa para cometer faltas muito mais graves e elementares. Mais ou menos como se o fato de o padre mastigar de boca aberta desse ao coroinha o direito de arrombar a caixinha da igreja e gastar tudo em tóchico a ser consumido durante a missa.