E agora?

A festa da democracia não terminou. Ainda vejo bêbados caídos no chão, vomitando nos cantos e balbuciando palavras sem nexo. Prossigamos mesmo assim e aproveitemos a lucidez que ainda nos resta para tomar algumas notas.

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A falácia das conquistas sociais

Queda da pobreza extrema

— De 1994 a 2002 (FHC), a taxa de extrema pobreza caiu um total de 6,28%, com uma variação de -30,98%.
— De 2002 a 2009 (Lula), a taxa de extrema pobreza caiu um total de 6,71%, com uma variação de -47,96%.

Queda da pobreza

— De 1994 a 2002 (FHC), a taxa de pobreza caiu um total de 8,58%, com uma variação de -19,96%.
— De 2002 a 2009 (Lula), a taxa de pobreza caiu um total de 12,98%, com uma variação de -37,73%.

Dívida pública federal

— Ao final do governo FHC (12/2002): R$ 560.828.810.000,00
— Ao final do governo Lula (10/2010): R$ 985.808.530.000,00

Números oficiais colhidos aqui.

Prefere ligar os pontos? (clica na imagem para ampliar)

O petismo II

absurd gun

Pior do que eleição é ter que discutir com quem entrou no debate sem qualquer condição de debater.

Oras, para ser candidato o sujeito só precisa provar que é alfabetizado e, se o tal Ficha Limpa é a sério, que não está sendo processado por alguma merda que fez recentemente. Ou seja, se o sujeito for analfabeto funcional e tiver feito merda mas não estiver sendo processado, sinal verde para sua candidatura a qualquer cargo político.

Então, reprise: pagodeiros, ex-guerrilheiras, atores e atrizes pornô, palhaços, sindicalistas profissionais, professores grevistas, jogadores de futebol, corruptos e mentirosos assumidos — todos estão aptos a se candidatar e alguns se elegem e se reelegem.

E não é apenas com eles que você precisa discutir caso queira manter vivas as esperanças de que a política adquira alguma decência: você precisa discutir também com os eleitores deles.

***

Exemplo colhido a esmo:

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O petismo (versão sem cortes)

petista dançando

Um dos problemas mais sérios da política brasileira se chama militância. O PT sempre a teve. Seus opositores mal sabem o que é isso. «Militância petista» é pleonasmo.

Não me refiro apenas à capacidade de reunir pessoas e colocá-las nas ruas em protesto, mas também de organizá-las em diversos campos de modo a construir um ambiente favorável a certos grupos e ideologias e totalmente desfavorável a tudo e a todos que tentarem se lhes opor.

Independentemente de qual seja o ambiente, é natural que a militância siga aquilo que é determinado pela cúpula do partido ou do grupo. «Seguir» não significa apenas atender as determinações estratégicas que vêm de cima, mas também — e sobretudo — acreditar na santidade dos líderes, na pureza de seus valores e na maldade de seus opositores. Para o militante, seguir as determinações do partido significa também que os fins justificam os meios e que, portanto, não há nada mais importante do que implantar o projeto que foi proposto. O que são princípios e valores diante da necessidade de implantar «um país de todos»? A pergunta é retórica, claro, mas algumas respostas têm sido dadas na Internet. O conteúdo abaixo não é recomendado para pessoas de estômago fraco.

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Da arte de votar

A democracia é um sistema que se define por números e por maiorias simples. A regra é clara: se um grupo de 100 pessoas precisa escolher entre A e B, ganha quem tiver 51 votos. Se de 100 pessoas, 90 decidem não escolher nada ou decidem fazer panelaço no dia da escolha, as 10 que se dispuseram a escolher decidirão quem ganha — A ou B. E com apenas 10 votos disponíveis, para ganhar bastará receber 6 votos dos 100 votos iniciais. Lindo.

Pode-se dizer que é um sistema cruel, mas essa é a definição de qualquer sistema de maioria simples — o que me faz lembrar daquela famosa frase de Internet: «coma merda; um bilhão de moscas não podem estar erradas».

Essa ficha me caiu muito tarde. Eu estava na sala de aula, na faculdade, quando surgiu um impasse sobre o andamento de uma disciplina. Depois de muita discussão, não houve nenhum consenso. Então logo surgiu alguém com aquela frase. Você sabe, «aquela frase»: Continuar lendo